sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Feliz Natal!

"Com benefício de quem um Deus tão sublime se fez tão humilde? Certamente nenhuma vantagem para si, mas com grande vantagem para nós, se acreditamos. Levanta-te, homem: por ti Deus se fez homem. "Desperta, tu que dormes! Levanta-te dentre os mortos e Cristo te iluminará! (Ef 5,14). Por ti, repito, Deus se fez homem. Tu estarias morto para sempre se ele não tivesse nascido no tempo. Nunca terias sido libertado da carne do pecado, se ele não tivesse tomado uma carne semelhante àquela do pecado. Estarias ainda em um estado de miséria, se ele não tivesse usado misericórdia contigo. Não terias retornado a viver, se ele não tivesse partilhado a tua morte. Terias fracassado se ele não tivesse vindo em teu auxílio. Estarias perdido se ele não tivesse chegado" 
Santo Agostinho, Sermão 185,1


Que Jesus possa nasce em teu coração 
e crescer no teu dia a dia.
Feliz e abençoado Natal! 
São os votos de nossa família Agostiniana Descalça.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Vocação, "ser para"...


Um consagrado, renuncia livremente tantos possíveis projetos individualistas para seguir um grande amor, que é Cristo em um continuo esforço de configurar-se a Ele de modo que sua vida fale de Deus ao mundo. Para isso, ele entra na mesma dinâmica da vida de Jesus, que foi em toda  a sua existência terrena um “ser para” o outro (Gl 2,20b; Jo 4,34). Tal experiência viveu Santo Agostinho após sua conversão, quando com alguns de seus amigos aspirava uma vida retirada do tumulto da vida pública para dedicar-se totalmente ao estudo, à meditação e à intimidade com Deus. Mas foi então que o Bispo de Tagaste Valério lhe interpelou a ser seu colaborador como sacerdote. Esta proposta lhe desconcertou, pois além de não se considerar digno de tal missão, havia planejado viver na contemplação. Mas Agostinho entende que viver como Jesus viveu é também renunciar ao individualismo e lançar-se corajosamente na aventura de viver para o Outro. Eis o que ele mesmo nos diz sobre tal circunstancia:
 “Aterrorizado com os meus pecados e com o peso da minha miséria, tinha resolvido e meditado, em meu coração, o projeto de fugir para o ermo. Mas vós mo impedistes e me fortalecestes dizendo: ‘Cristo morreu por todos, para que os viventes não vivam para si, mas para aquele que morreu por todos’(cf, 2Cor 5,15)” (Conf. X. 43, 70).
Este é o desafio que Cristo nos lança, o de sairmos do pequeno mundinho do nosso “eu” para aventurar-nos com Ele na vastidão no “nós” que nos liberta da escravidão do egocentrismo para uma vida de total alteridade: Aquele que tentar salvar a sua vida, perdê-la-á. Mas aquele que a perder, por minha causa, reencontrá-la-á (Mt 10,39)


Por Frei Leandro Xavier Rodrigues

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Comunhão, a mais alta vocação do homem


“Esta é a mais alta vocação do homem: entrar em comunhão com Deus e com os outro homens seus irmãos”(CIVC, A vida fraterna em comunidade).
O homem, sendo criado a imagem e semelhança de Deus, foi criado para a comunhão. Deus, que é amor, é comunhão, é Trindade, chama o homem a viver um relacionamento de comunhão com Ele e com os seus semelhantes.
Nós agostinianos buscamos responder a este chamado de Deus seguindo os passos de Santo Agostinho, vivenciando a seu exemplo o ideal comunitário de “um só coração e uma só alma em Deus”(At 4,32).
Esta forma vida inspirada na primeira comunidade cristã não anula nossa individualidade, nosso caráter e nossos dons particulares, tudo isso é uma riqueza para a comunidade, mas a nossa maior riqueza é justamente a nossa união em Deus. Ao buscá-lo de coração sincero, as diferenças tornam-se relativas, pois o que importa é que tenhamos um só coração e uma só alma voltados para Deus.
Assim, quanto mais buscarmos a Deus juntos, mais Ele consolidará os laços que nos unem, ou melhor, Ele mesmo será o grande laço de amor e fraternidade entre os irmãos, “pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou no meio deles”(Mt 18,20).
Venha você também conhecer este jeito agostiniano de seguir a Cristo!


Por Frei Leandro Xavier Rodrigues

domingo, 13 de novembro de 2011

Feliz aniversário Frei Marcelo

Hoje Deus me presenteia com mais um grande dom. Obrigado Senhor por mais este ano de vida! Que eu, como consagrado a Deus, seja instrumento Vosso para a construção do reino, o reino da vida eterna.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

LEVAR DEUS À HUMANIDADE DE HOJE


Salve, salve “blogueiros agostinianos”. Sou Frei Airton, desenvolvo meu sacerdócio como formador na comunidade agostiniana descalça do Rio de Janeiro.
Deixo minha contribuição nas reflexões deste blog.
Recentemente em um Congresso Sacerdotal na Mariápolis Ginetta em Vargem Grande Paulista, refletiu-se sobre a vida da Igreja no mundo de hoje repleta de DESAFIOS. Uma das conclusões que se chegou é que se contemplarmos com o olhar de Deus que é Amor, perceberemos que, em cada um destes desafios está contido um chamado e uma nova oportunidade: O CONVITE A UMA GRANDE RENOVAÇÃO. Vivemos numa época de profunda secularização, em que se perdeu a capacidade de ouvir e compreender as palavras do Evangelho como uma mensagem viva e revigorante. A secularização levou-nos a desenvolver uma mentalidade na qual Deus, é posto de parte da existência e da consciência humana.
Hoje, os meios de comunicação social oferecem enormes possibilidades e representam um dos grandes desafios para a Igreja. Assiste-se à perda do valor objetivo da experiência da reflexão e do pensamento, reduzida em muitos casos, a puro lugar de confirmação do próprio sentir.
Com o avanço da secularização, as Igrejas cristãs experimentam uma crescente crise de importância. Para um número sempre maior de pessoas Deus e a Igreja são simplesmente insignificantes. Diante desta situação, há necessidade de um empenho totalmente novo na transmissão da fé.
Bento XVI, desde o início de seu pontificado, sublinha um aspecto fundamental destacando que é urgente LEVAR DEUS À HUMANIDADE DE HOJE. A Igreja deve concentrar-se toda nisto: dar Deus, testemunhar Deus.
Nós AGOSTINIANOS individuamos na COMUNHÃO de vida: “Um só coração e uma só alma voltados para Deus” (Regra de Sto. Agostinho), a missão evangelizar e levar aos homens DEUS, aproveitando do convite de renovação que os desafios nos colocam no dia a dia.
Nosso BLOG é um instrumento de anunciar o DEUS VIVO, e manter uma presença cristã agostiniana dentro das redes sociais.
Um abraço a todos e DEO GRATIAS!

Por Frei Airton Mainardi

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Uma vocação!


 Meu nome é Frei Diogo Moreno Pereira, sou professo temporário da Ordem dos Agostinianos Descalços e estou atualmente residindo na comunidade religiosa e paróquia Santa Rita dos Impossíveis, na cidade do Rio de Janeiro, no bairro de Ramos. Irei contar para vocês um pouco da minha história vocacional:
Eu nasci no dia 17 de dezembro de 1984 na cidade de Nova Friburgo, no estado do Rio de Janeiro. Meu pai, José de Anchieta Pereira (falecido em 1994 de câncer) era um homem simples, operário de uma fábrica metalúrgica e temente a Deus. Minha mãe, Dinah Moreno Pereira, trabalhava no lar cuidando dos três filhos, eu, minha irmã mais velha e meu irmão mais novo. Foi neste contexto que Deus através dos familiares e amigos e da história cotidiana simples iria me atrair e se desvelar aos poucos, apesar da injustiça social e da morte que faria, também, parte da minha vida.
Aos quinze anos comecei a fazer encontros vocacionais, pois o ministério sacerdotal, de alguma forma, me atraía. Depois de fazer vários encontros, fiz um no Seminário Menor dos Agostinianos Descalços que me chamou muita atenção pela vida  despojada e comunitária dos frades. Então me convidaram para fazer uma experiência vocacional a partir de fevereiro de 2002, assim eu decidi entrar na Ordem e discernir o Chamado de Deus e a vocação para Vida Consagrada. Percorri os vários estágios necessários para a formação: Seminário Menor, Noviciado, Filosofia e agora estou concluindo o terceiro ano de Teologia.

                                                                                   Frei Diogo Moreno, OAD.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Vocação à vida consagrada



O religioso é chamado a testemunhar Cristo de uma maneira radical, vivendo uma consagração total nos votos de pobreza, castidade e obediência. Com a pobreza, vivem mais livres dos bens temporais, tornando-se disponíveis para Deus, para a Igreja e para os irmãos. Com a castidade, vivem o amor sem exclusividade, sendo sinal do mundo futuro que há de vir. Com a obediência, imitam a Cristo obediente e fiel à vontade do Pai.

domingo, 30 de outubro de 2011

Máximas de Santo Agostinho


"Cada um vive segundo aquilo que ama" (Trindade, 13,20,26)


"Ninguém pode ser com verdade amigo de outro se não for primeiro amigo da própria verdade" (Carta 155,1)

terça-feira, 25 de outubro de 2011

O QUE É DE CÉSAR E O QUE É DE DEUS

Por Dom Orani João Tempesta

O Evangelho do último domingo (23 de outubro 2011) termina com uma daquelas frases lapidares de Jesus, que deixaram uma marca profunda na história e na linguagem humana: "Dê a César o que é de César e a Deus o que é de Deus". É uma afirmação que os remete à reflexão sobre o relacionamento entre a Religião e o Estado, até então inseparáveis em outros povos e regimes. Os judeus estavam acostumados a pensar no futuro reino de Deus estabelecido pelo Messias como uma teocracia, isto é, como regra direta de Deus sobre toda a Terra através de seu povo.
Ainda hoje vemos na sociedade muitas regiões onde esse relacionamento impera. Existe também um sério debate sobre esse tema e possíveis soluções mesmo dentro do cristianismo. Mas a palavra de Cristo revela o reino de Deus neste mundo, mas que não é deste mundo, andando sobre um comprimento de onda diferente e que pode, portanto, coexistir com qualquer outro sistema político, mesmo que muitas vezes sejamos perseguidos ou então críticos da situação reinante.
Deus é o Senhor da história e exerce sua soberania sobre o mundo diretamente por Cristo, na vida e ação das pessoas que O aceitam, e também através das pessoas que se tornam fermento na massa e luz do mundo, construindo a civilização do amor.
Deus é o soberano último de todos, incluindo César. Não estamos divididos entre duas lealdades, não somos obrigados a servir a “dois senhores". O cristão é livre para obedecer ao Estado, mas também para resistir ao Estado quando ele vai contra os valores humanos inscritos no coração do homem que crê. Nestes tempos em que o “Estado” muitas vezes oprime a “Nação” e nem a respeita, somos chamados a refletir sobre a realidade que vai se delineando ao nosso redor, perdendo sempre mais os direitos de cidadãos.
O primeiro a tirar as conclusões práticas do ensinamento de Cristo foi São Paulo. Ele escreve: "Todo mundo está sujeito às autoridades superiores, pois não há autoridade exceto por Deus... Então, quem se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus... Para isso, você também paga impostos, porque aqueles que se dedicam a esta tarefa são funcionários de Deus" (Rm 13, 1ss). Pagar impostos honestamente para um cristão (mas também para toda pessoa honrada) é um dever de justiça e, portanto, uma obrigação de consciência. Porém, tudo isso, também obviamente, pressupõe que o Estado seja justo e equitativo para impor os seus impostos e se preocupe com o “bem comum”, favorecendo a todos.
A colaboração dos cristãos para construir uma sociedade justa e pacífica não se esgota no pagamento de impostos. Deve alargar-se à promoção de valores comuns, como na família, na paz, na defesa da vida, na solidariedade com os pobres. Respeito pelos outros, mansidão, autocrítica em relação às capacidades: são traços que um discípulo de Cristo deve trazer consigo, principalmente na política.
Evasão fiscal – recorda-nos o Catecismo da Igreja Católica – é um pecado mortal, como qualquer outro roubo grave. É roubo às pessoas, ao povo, à comunidade. Hoje também, em todos os cantos de nosso país, grita-se contra a corrupção. As pessoas se cansaram de ver o desvio de verbas e a apropriação do bem público como pessoal e começam a gritar pelas nossas praças. Vemos que uma nova ordem começa a ser exigida.
Na Bíblia não encontraremos tratados de economia ou genética, mas a revelação do Plano de Deus para nossa salvação e que nos dá uma sabedoria para discernir os caminhos e, iluminados pelo Evangelho, julgar a realidade. Nesse sentido, na missão dos cristãos na sociedade, podemos nos perguntar onde estão os cristãos na economia, política, ciência e nos demais campos sociais?
Coloquem a sua preparação e a sua inteligência a serviço do homem e do Evangelho, deixem dialogar a verdade de Deus em relação a todas as coisas que vocês fazem. Nestes tempos difíceis, pede-se aos cristãos que se ocupem com a pessoa humana, com o “homem todo” para o qual Cristo deu a Sua Vida. E como cidadãos do mundo, tocados pela alegria de conhecer a Cristo, peçamos para ser ouvidos e ouvir, para trazer uma luz diferente sobre a realidade, uma perspectiva que nos eleva mais e mais...
Dom Orani João Tempesta é arcebispo do Rio de Janeiro

Pensamento de Agostinho

"Para que escrevo isto> Simplesmente para que eu e todos os que lerem estas páginas pensemos de que abismo profundo se deve clamar por Vós" (Confissões 2)