A comunidade que surgiu entorno de Jesus não era
“amorfa”, ou sem uma estrutura. Dentre todos os discípulo, Jesus “constituiu
Doze, para que ficassem com Ele, para enviá-los a pregar” (Mc 3,14). O número
12 é carregado de significado, pois 12 eram os filhos de Jacó, que deram origem
as 12 tribos de Israel. Ao escolher esses 12 homens, Jesus se coloca na posição
de Patriarca do “novo Israel” que terá como fundamento e origem os mesmos 12. É “um povo que se forma agora
não já por descendência física, mas através do ‘estar com Jesus’” (Ratzinger,
Compreender a Igreja hoje). Da mesma forma a Igreja de Cristo não se compreende
se não em relação de intimidade com o seu Senhor, e na medida em que Dele se
distancia vai perdendo sua própria identidade, somos a Igreja “de Cristo” e por
esta razão devemos estar unidos a Ele.
E quanto aos 72 discípulo que Jesus enviou dois a dois a
pregar (Lc 10,1-9)? Segundo a tradição judaica o número 70 ou72 (Gn 10; Ex
1,5;Dt 32,5) representa o número das nações do mundo. Com isso entendemos que
Jesus pretendia para si como discípulos todas as nações, tanto que mais tarde
ele deixará um mandato claro para sua Igreja: “Ide por todo o mundo, proclamai
o Evangelho a toda Criatura”. Vemos aqui já o fundamento da catolicidade da
Igreja, ou seja, a vocação da Igreja de ser “sacramento se salvação para o mundo
inteiro” (Catecismo da Igreja Católica).
Por Frei Leandro Xavier Rodrigues, OAD

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