domingo, 30 de outubro de 2011

Máximas de Santo Agostinho


"Cada um vive segundo aquilo que ama" (Trindade, 13,20,26)


"Ninguém pode ser com verdade amigo de outro se não for primeiro amigo da própria verdade" (Carta 155,1)

terça-feira, 25 de outubro de 2011

O QUE É DE CÉSAR E O QUE É DE DEUS

Por Dom Orani João Tempesta

O Evangelho do último domingo (23 de outubro 2011) termina com uma daquelas frases lapidares de Jesus, que deixaram uma marca profunda na história e na linguagem humana: "Dê a César o que é de César e a Deus o que é de Deus". É uma afirmação que os remete à reflexão sobre o relacionamento entre a Religião e o Estado, até então inseparáveis em outros povos e regimes. Os judeus estavam acostumados a pensar no futuro reino de Deus estabelecido pelo Messias como uma teocracia, isto é, como regra direta de Deus sobre toda a Terra através de seu povo.
Ainda hoje vemos na sociedade muitas regiões onde esse relacionamento impera. Existe também um sério debate sobre esse tema e possíveis soluções mesmo dentro do cristianismo. Mas a palavra de Cristo revela o reino de Deus neste mundo, mas que não é deste mundo, andando sobre um comprimento de onda diferente e que pode, portanto, coexistir com qualquer outro sistema político, mesmo que muitas vezes sejamos perseguidos ou então críticos da situação reinante.
Deus é o Senhor da história e exerce sua soberania sobre o mundo diretamente por Cristo, na vida e ação das pessoas que O aceitam, e também através das pessoas que se tornam fermento na massa e luz do mundo, construindo a civilização do amor.
Deus é o soberano último de todos, incluindo César. Não estamos divididos entre duas lealdades, não somos obrigados a servir a “dois senhores". O cristão é livre para obedecer ao Estado, mas também para resistir ao Estado quando ele vai contra os valores humanos inscritos no coração do homem que crê. Nestes tempos em que o “Estado” muitas vezes oprime a “Nação” e nem a respeita, somos chamados a refletir sobre a realidade que vai se delineando ao nosso redor, perdendo sempre mais os direitos de cidadãos.
O primeiro a tirar as conclusões práticas do ensinamento de Cristo foi São Paulo. Ele escreve: "Todo mundo está sujeito às autoridades superiores, pois não há autoridade exceto por Deus... Então, quem se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus... Para isso, você também paga impostos, porque aqueles que se dedicam a esta tarefa são funcionários de Deus" (Rm 13, 1ss). Pagar impostos honestamente para um cristão (mas também para toda pessoa honrada) é um dever de justiça e, portanto, uma obrigação de consciência. Porém, tudo isso, também obviamente, pressupõe que o Estado seja justo e equitativo para impor os seus impostos e se preocupe com o “bem comum”, favorecendo a todos.
A colaboração dos cristãos para construir uma sociedade justa e pacífica não se esgota no pagamento de impostos. Deve alargar-se à promoção de valores comuns, como na família, na paz, na defesa da vida, na solidariedade com os pobres. Respeito pelos outros, mansidão, autocrítica em relação às capacidades: são traços que um discípulo de Cristo deve trazer consigo, principalmente na política.
Evasão fiscal – recorda-nos o Catecismo da Igreja Católica – é um pecado mortal, como qualquer outro roubo grave. É roubo às pessoas, ao povo, à comunidade. Hoje também, em todos os cantos de nosso país, grita-se contra a corrupção. As pessoas se cansaram de ver o desvio de verbas e a apropriação do bem público como pessoal e começam a gritar pelas nossas praças. Vemos que uma nova ordem começa a ser exigida.
Na Bíblia não encontraremos tratados de economia ou genética, mas a revelação do Plano de Deus para nossa salvação e que nos dá uma sabedoria para discernir os caminhos e, iluminados pelo Evangelho, julgar a realidade. Nesse sentido, na missão dos cristãos na sociedade, podemos nos perguntar onde estão os cristãos na economia, política, ciência e nos demais campos sociais?
Coloquem a sua preparação e a sua inteligência a serviço do homem e do Evangelho, deixem dialogar a verdade de Deus em relação a todas as coisas que vocês fazem. Nestes tempos difíceis, pede-se aos cristãos que se ocupem com a pessoa humana, com o “homem todo” para o qual Cristo deu a Sua Vida. E como cidadãos do mundo, tocados pela alegria de conhecer a Cristo, peçamos para ser ouvidos e ouvir, para trazer uma luz diferente sobre a realidade, uma perspectiva que nos eleva mais e mais...
Dom Orani João Tempesta é arcebispo do Rio de Janeiro

Pensamento de Agostinho

"Para que escrevo isto> Simplesmente para que eu e todos os que lerem estas páginas pensemos de que abismo profundo se deve clamar por Vós" (Confissões 2)