Observando nossa cultura atual, bastante voltada para o exterior, para o passageiro e provisório, percebemos que muitas vezes o homem acaba esquecendo-se de uma sua dimensão constitutiva que é a interioridade e a sua vida interior. Sem esse alicerce espiritual o homem moderno corre o risco de viver numa instabilidade e existencial, num desnorteamento que muitas vezes o leva a procurar as respostas às perguntas que a vida lhe impõe em lugares e coisas incapazes de lhe darem o que procura, pois são finitas, enquanto que o homem procura algo maior, tem sede de infinito.
Santo
Agostinho experimentou em sua própria pele este drama da busca angustiante de
sentido, a busca de algo que de fato ofereça fundamento à sua vida e ao mundo.
Foi ao mergulhar em si mesmo, em seu íntimo é que encontrou a resposta que
tanto buscava. Ele procurava fora de si, nas seitas e nas criaturas, enquanto
que por todo esse tempo a Resposta esteve sempre com ele, estava nele.
Agostinho encontrou-se consigo mesmo e deparou-se com suas misérias, mas
percebeu que dentro dele, como ele mesmo diz, “mais íntimo que o meu
próprio íntimo” encontra-se Deus com sua graça renovadora.
A
ressonância desta experiência de Agostinho não termina por aí, se assim fosse
seria um fechamento entorno do próprio eu. Pelo contrário, ela desabrocha em
uma alteridade totalmente nova. Isto é, agora a realidade é vista a partir de
Deus, como que com os olhos de Deus. Tudo fala de Deus, pois a criação é
reflexo do Criador. O outro passa a ser visto de maneira diferente, pois
a presença de Deus experimentada no próprio coração não é de maneira nenhuma
uma propriedade privada, este mesmo Deus se faz presente no coração do outro
também e esta realidade aproxima os homens entre si, pois é o mesmo Deus
que é buscado e encontrado por cada um.
Entendendo
que o outro, o nosso irmão, é um templo vivo de Deus temos o dever de
respeitá-lo e amá-lo, assim podemos compreender melhor o programa de vida
que Santo Agostinho traça para os seus filhos espirituais em sua Regra:
"Vivei unânimes e concordes, honrando reciprocamente em vós Deus de quem sois templos vivos" (Regra n.9).
Por Frei Leandro Xavier Rodrigues, OAD.