terça-feira, 9 de outubro de 2012

Interioridade, caminho para alteridade em Santo Agostinho


  Tendo presente à cultura atual voltada para o exterior para o passageiro e provisório percebemos que muitas das vezes o homem acaba esquecendo-se de uma dimensão constitutiva sua que é a sua interioridade e sua vida interior.
  Santo Agostinho vivencia em sua própria pele o drama da busca de sentido, a busca de algo que de fato lhe oferecesse fundamento à realidade e à sua vida. Foi ao mergulhar em si mesmo, em seu íntimo é que encontrou a resposta que tanto buscou. Ele procurava fora de si nas seitas e nas criaturas, enquanto que por todo esse tempo a Resposta estava sempre com ele, estava nele.
  A experiência de Agostinho não se conclui num fechamento entorno do próprio eu, mas desabrocha em uma alteridade totalmente nova. Agora a realidade é vista a partir de Deus, como que com os olhos de Deus. Ao fazer o caminho inverso passando por cada etapa até então percorrida ele percebe nelas o que percebeu quando chegou ao final de sua viajem interior, ou seja, tudo fala de Deus, a criatura é reflexo do criador. O outro é visto de maneira diferente, pois a presença de Deus no coração do homem não é de maneira nenhuma uma propriedade privada, este mesmo Deus se faz presente no coração do outro, esta realidade aproxima os homens, pois é o mesmo Deus que é buscado e encontrado por cada um, apesar de ser encontrado no próprio íntimo.
  O outro, portanto é templo vivo de Deus e por esta razão deve ser respeitado, "Vivei, pois unânimes e concordes, honrando reciprocamente em vós Deus de quem sois templos vivos" (Regre de Santo Agostinho nº 9.
Frei Leandro Xavier Rodrigues