Um
consagrado, renuncia livremente tantos possíveis projetos individualistas
para seguir um grande amor, que é Cristo em um continuo esforço de
configurar-se a Ele de modo que sua vida fale de Deus ao mundo. Para isso, ele
entra na mesma dinâmica da vida de Jesus, que foi em toda a sua existência terrena um “ser para” o
outro (Gl 2,20b; Jo 4,34). Tal experiência viveu Santo Agostinho após sua
conversão, quando com alguns de seus amigos aspirava uma vida retirada do
tumulto da vida pública para dedicar-se totalmente ao estudo, à meditação e à
intimidade com Deus. Mas foi então que o Bispo de Tagaste Valério lhe
interpelou a ser seu colaborador como sacerdote. Esta proposta lhe desconcertou,
pois além de não se considerar digno de tal missão, havia planejado viver na
contemplação. Mas Agostinho entende que viver como Jesus viveu é também
renunciar ao individualismo e lançar-se corajosamente na aventura de viver para
o Outro. Eis o que ele mesmo nos diz sobre tal circunstancia:
“Aterrorizado com os meus pecados e com o peso
da minha miséria, tinha resolvido e meditado, em meu coração, o projeto de
fugir para o ermo. Mas vós mo impedistes e me fortalecestes dizendo: ‘Cristo
morreu por todos, para que os viventes não vivam para si, mas para aquele que
morreu por todos’(cf, 2Cor 5,15)” (Conf. X. 43, 70).
Este é o
desafio que Cristo nos lança, o de sairmos do pequeno mundinho do nosso “eu”
para aventurar-nos com Ele na vastidão no “nós” que nos liberta da escravidão do egocentrismo para
uma vida de total alteridade: Aquele que tentar salvar a sua vida, perdê-la-á.
Mas aquele que a perder, por minha causa, reencontrá-la-á (Mt 10,39)
Por Frei Leandro Xavier Rodrigues
Por Frei Leandro Xavier Rodrigues

Frei Leandro, o texto está lindo e bem reflexivo.
ResponderExcluirEste é o grande desafio de qualquer cristão, sair do nosso individualismo, nosso "eu" e se lançar para o "nós". Que Deus me dê o discernimento para alcançar esse Magis.
Marilene Queiroz