Prezados irmãos, neste mês a Igreja do Brasil
convida-nos a refletir sobre as vocações, chamado de Deus à cada pessoa. Nisto
podemos perceber que todos são convidados a contribuir com a construção do
Reino de Deus entre nós, colocando em favor da comunidade os dons que
possuímos. A cada domingo meditamos o valor e a importância das principais vocações presentes na Igreja.
Em especial para nós, a família agostiniana,
esse mês é de grande importância, pois é nele que comemoramos a solenidade de
nosso Pai e Inspirador Santo Agostinho e outros santos que também viveram a
Regra escrita por ele, assim como SANTA CLARA DA CRUZ DE MONTE FALCO.
Desta forma vamos conhecer um pouco da vida e
da espiritualidade desta Santa que descobriu sua vocação na vida religiosa.
Santa Clara nasceu em torno de 1268 em Montefalco (Perugia), onde passou toda a vida. Aos seis anos entrou numa reclusão habitada por sua irmã Joana e outras companheiras. Esta pequena comunidade transladou-se em 1290 para uma nova casa, transformada em mosteiro sob a Regra de Santo Agostinho. Ela seguiu suas companheiras. Morta sua irmã, sucedeu-lhe no cargo de abadessa, até a morte, no dia 17 de agosto 1308. Em sua vida pessoal e como Abadessa, viveu exemplarmente a vida comunitária exigida pela Regra. Ensinava às irmãs a necessidade da renúncia e do esforço pessoal para construir o edifício da vida espiritual. Dotada de ciência infusa, defendeu corajosamente a doutrina da fé. Distinguiu-se pelo amor à Paixão do Senhor, dando um lugar de honra à devoção da Santa Cruz. No final de sua vida afirmava ter no seu coração a Cruz de Cristo.
Não me move, Senhor, para querer-te
o céu que me tendes prometido,
nem me move o inferno tão temido
pra deixar por isso de ofender-te.
Move-me sim, move-me o ver-te
cravado numa cruz e escarnecido;
move-me ver teu corpo tão ferido;
movem-me tuas ofensas e tua morte.
Move-me, enfim, teu amor de tal maneira,
que, embora não houvesse céu eu te amaria,
embora não houvesse inferno te temeria.
Em sua eloquência havia uma grande força de
persuasão. Parecia brotar de sua boca um fogo que inflamava a mente dos que a
ouviam e infundia uma doçura espiritual. Por esta razão, quem a ouvia, saía de
sua presença com um desejo ardente das coisas espirituais.