sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Santa Clara de Montefalco, Virgem


  Prezados irmãos, neste mês a Igreja do Brasil convida-nos a refletir sobre as vocações, chamado de Deus à cada pessoa. Nisto podemos perceber que todos são convidados a contribuir com a construção do Reino de Deus entre nós, colocando em favor da comunidade os dons que possuímos. A cada domingo meditamos o valor e a importância das  principais vocações presentes na Igreja.
  Em especial para nós, a família agostiniana, esse mês é de grande importância, pois é nele que comemoramos a solenidade de nosso Pai e Inspirador Santo Agostinho e outros santos que também viveram a Regra escrita por ele, assim como SANTA CLARA DA CRUZ DE MONTE FALCO.
   Desta forma vamos conhecer um pouco da vida e da espiritualidade desta Santa que descobriu sua vocação na vida religiosa.
  Santa Clara nasceu em torno de 1268 em Montefalco (Perugia), onde passou toda a vida. Aos seis anos entrou numa reclusão habitada por sua irmã Joana e outras companheiras. Esta pequena comunidade transladou-se em 1290 para uma nova casa, transformada em mosteiro sob a Regra de Santo Agostinho. Ela seguiu suas companheiras. Morta sua irmã, sucedeu-lhe no cargo de abadessa, até a morte, no dia 17 de agosto 1308. Em sua vida pessoal e como Abadessa, viveu exemplarmente a vida comunitária exigida pela Regra. Ensinava às irmãs a necessidade da renúncia e do esforço pessoal para construir o edifício da vida espiritual. Dotada de ciência infusa, defendeu corajosamente a doutrina da fé. Distinguiu-se pelo amor à Paixão do Senhor, dando um lugar de honra à devoção da Santa Cruz. No final de sua vida afirmava ter no seu coração a Cruz de Cristo.

Não me move, Senhor, para querer-te
o céu que me tendes prometido,
nem me move o inferno tão temido
pra deixar por isso de ofender-te.

Move-me sim, move-me o ver-te
cravado numa cruz e escarnecido;
move-me ver teu corpo tão ferido;
movem-me tuas ofensas e tua morte.

Move-me, enfim, teu amor de tal maneira,
que, embora não houvesse céu eu te amaria,
embora não houvesse inferno te temeria.

  Em sua eloquência havia uma grande força de persuasão. Parecia brotar de sua boca um fogo que inflamava a mente dos que a ouviam e infundia uma doçura espiritual. Por esta razão, quem a ouvia, saía de sua presença com um desejo ardente das coisas espirituais.
  Como religiosa e abadessa, Clara tornou-se também exemplo de seguidora de Cristo, escolhendo o caminho da Cruz, pois para ela nem a promessa do céu e o medo do inferno foram incentivos para sua ascese, entretanto, sua paixão pelos sofrimentos do Senhor na Cruz a impelia a imitá-lo e a consolá-lo com sua práticas de penitência e caridade. Por esta razão, ela conseguiu viver sua vocação mostrando para todos nós que é possível sermos fiéis ao plano de Deus para nossa vida.  
  Seus ensinamentos estão repletos de sabedoria e tornam-se atuais a cada vez que os ouvimos, como esse, quando no festa da Assunção mandou chamar as religiosas e exortou-as a manterem-se fiéis ao serviço divino dizendo-lhes: "Filhas e irmãs queridas: entrego todas vocês e minha alma à morte de Nosso Senhor Jesus Cristo e tudo entrego ao Senhor, assim como os trabalhos que suportei por amor de vocês. Sejam humildes, obedientes, unidas no amor e procurem agir de tal forma que Deus seja louvado em suas vidas e não pereça a obras que o Senhor Deus edificou em suas pessoas". Desta maneira, esses conselhos servem não só para as religiosas, mas sobretudo para aqueles chamados a servir o Senhor em sua vocação, seja ela qual for: sacerdotal, religiosa, matrimonial ou leiga.
  Seu amor foi tão grande pelo Jesus Crucificado que após sua morte, encontrou-se em seu coração as insígnias da Paixão do Senhor. Seu corpo se conserva na Igreja das Agostinianas de Montefalco. Que Santa Clara interceda por nós e nos ensine a amar ao próximo e aos inimigos como Jesus amou.

Santa Clara da Cruz de Montefalco, rogai por nós!
 Referencia bibliográfica
Liturgia Agostiniana das Horas
                             Frei Wellington Porfirio de Barros, OAD.




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