domingo, 30 de dezembro de 2012

A família

  A família de Nazaré é o mais belo e perfeito exemplo de família cristã. Mas, como sabemos muitas delas nos tempos atuais sofrem o drama da infidelidade conjugal, da desunião em si mesma e da desobediência dos filhos aos pais. Porém nessas crises e no dia-a-dia, toda família que quer e deseja o Amor na sua profundidade, necessita olhar para a cruz como meio de crescimento e de desprendimento daquilo que aprisiona e impossibilita toda e qualquer atitude de doação, oração e de abertura na família.
  Ela é célula indispensável que gera e educa a vida; quer ama e corrige o fruto do verdadeiro amor; que amamenta com o alimento mais precioso para a vida nos seus primeiros anos fora do útero materno; que é base para o crescimento físico, psíquico e espiritual dos seus membros.
  É meus caros leitores, a família precisa refletir e repensar a respeito dos verdadeiros valores vivenciados pela unida e perfeita família de Nazaré - Jesus, Maria e José - que soube na diversidade e diferença de seus membros entrelaçar as capacidades e virtudes de cada um para ser família enraizada na unidade da Trindade. 
  Portanto, o modelo primeiro da família precisa ser compreendido na própria pessoa de Deus, mergulhando no mais profundo mistério da Trindade e da vida. Assim, nasce o amor de uma jovem moça por um rapaz, ambos aprendem a amar e deixam-se plasmar pelo amor divino, constituindo, desta maneira, uma família guardiã da vida e depositária das mais belas expressões do amor.
  Sendo assim, não devemos ser uma família que valoriza a cultura do individualismo e classifica e prestigia os seus integrantes pelas coisas que possuem exteriormente. Aprendamos a olhar com o mesmo olhar de Jesus cruz diante dos seus algozes. Odiado, Ele não odiou; blasfemado, Ele não retrucou; tomado pela dor, Ele não desistiu.
  Pois é, talvez a sua família esteja passando por uma situação bastante delicada. talvez a dor da morte de alguém, um filho nas drogas, alguém preso por algo que cometeu, a infidelidade do esposo ou da esposa, etc. Mas alguém pode dizer: não, a minha família está ótima! Seja como for, ninguém está imune de problemas. Então, sejamos uma família unida e busquemos viver como a família de Jesus que é para nós A Grande Família!
Inspirado em Ideal e Luz, Chiara Lubich                                                                             Frei João Paulo da Silva

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Interioridade, caminho para alteridade em Santo Agostinho


  Tendo presente à cultura atual voltada para o exterior para o passageiro e provisório percebemos que muitas das vezes o homem acaba esquecendo-se de uma dimensão constitutiva sua que é a sua interioridade e sua vida interior.
  Santo Agostinho vivencia em sua própria pele o drama da busca de sentido, a busca de algo que de fato lhe oferecesse fundamento à realidade e à sua vida. Foi ao mergulhar em si mesmo, em seu íntimo é que encontrou a resposta que tanto buscou. Ele procurava fora de si nas seitas e nas criaturas, enquanto que por todo esse tempo a Resposta estava sempre com ele, estava nele.
  A experiência de Agostinho não se conclui num fechamento entorno do próprio eu, mas desabrocha em uma alteridade totalmente nova. Agora a realidade é vista a partir de Deus, como que com os olhos de Deus. Ao fazer o caminho inverso passando por cada etapa até então percorrida ele percebe nelas o que percebeu quando chegou ao final de sua viajem interior, ou seja, tudo fala de Deus, a criatura é reflexo do criador. O outro é visto de maneira diferente, pois a presença de Deus no coração do homem não é de maneira nenhuma uma propriedade privada, este mesmo Deus se faz presente no coração do outro, esta realidade aproxima os homens, pois é o mesmo Deus que é buscado e encontrado por cada um, apesar de ser encontrado no próprio íntimo.
  O outro, portanto é templo vivo de Deus e por esta razão deve ser respeitado, "Vivei, pois unânimes e concordes, honrando reciprocamente em vós Deus de quem sois templos vivos" (Regre de Santo Agostinho nº 9.
Frei Leandro Xavier Rodrigues


segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Domingo, o dia do Senhor

  O domingo para o cristão é mais do que um simples dia de descanso depois de uma semana de trabalho,mas "é o dia que o Senhor fez para nós"(Sl 117,24), tempo concedido ao homem para contemplar a criação, louvar o criador, celebrar o grande evento da sua salvação que é a Pascoa do Senhor e em comunhão com o Senhor que se dá na Eucaristia, formar um só corpo que é a Igreja.
  No inicio do Gênesis lemos que após completar a obra da criação, Deus repousou (Cf. Gn 2,2). Este repouso não representa a inatividade de Deus, mas significa que Deus para diante de sua obra "muito boa" (Gn 1,31) recém realizada e a contempla com um "olhar repleto de jubilosa complacência" (Dies Domini 11), aprecia sua beleza. Agindo desta forma Deus deixa um exemplo ao homem que no domingo deve deixar suas preocupações e afazeres cotidianos para contemplar as belezas da criação e louvar o criador por tudo o que existe, inclusive por sua vida e por poder respirar.
  Se por um lado o domingo é o dia do repouso sagrado, por outro lado "é preciso fazer referência especificamente à ressurreição de Cristo para se alcançar o (seu) pleno sentido" (DD 19). Pois o fato de Cristo ter ressuscitado no "primeiro dia depois do sábado" (Lc 24,1) faz do domingo o "dia da ressurreição", e como a ressurreição de Cristo é o centro da nossa fé então o domingo é para nós um dia muito especial em relação aos demais dias da semana.
  No domingo, dia mais importante da semana, a comunidade se reúne para uma celebração na qual louva a Deus pela criação, celebra a ressurreição de Cristo e faz uma experiencia especial de comunhão com Cristo e com os irmãos, esta é a celebração eucaristica. De fato "uma vez que a um só pão, nós embora sendo muitos, formamos um só corpo, porque todos participamos do mesmo pão"(1Cor 10,17). 
  Diante do imenso valor que o domingo e de modo particular a Eucaristia tem para o cristão, podemos afirmar que não podemos viver sem a ceia do Senhor (Cf. DD 46). Esta é uma necessidade interior do cristão que se traduz em uma obrigação de consciência, ou seja, o preceito dominical. Mas esta consciência nem sempre está presente nos cristãos, seja por tibieza, seja por negligencia, e por isso a Igreja achou por bem prescrever o dever de participar na missa dominical (Cf. DD 47). E assim o Catecismo da Igreja Católica no número 2181 diz que "os que deliberadamente faltam a esta obrigação cometem pecado grave" aja visto as importância que o domingo tem para a vida cristã (Cf DD 47)
  É importante lembrar que para cumprir o preceito, ou ainda melhor, para satisfazer esta necessidade interior, o fiel pode participar da celebração eucarística seja no dia do domingo, seja no sábado a tarde, que sendo "primeiras vésperas" do domingo, liturgicamente é considerado o inicio do dia festivo do domingo (Cf. DD 49). 
  Portanto, que todo cristão, grato a Deus pelas maravilhas realizadas na criação e na sua vida, santifique o dia do Senhor com sua presença na celebração da Eucaristia, celebrando a ressurreição do Senhor e vivenciando uma profunda comunhão com Deus e os irmãos.
Frei Leandro Xavier Rodrigues

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Santo Agostinho, nosso pai e inspirador

 
 A vida de Santo Agostinho (354-430 d.C.) transcorreu num tempo de crise e de transição. Os bárbaros invadiam de todos os lados o império romano que começava a ruir. No dia 28 de agosto  de 430, Hipona estava sitiada por exércitos vândalos. Agostinho morria sentindo   profundamente aquela dramática e dolorosa situação. Desde sua ordenação sacerdotal (391 d.C.), mas sobretudo desde sua ordenação episcopal (395 d.C.), identificara-se com a causa de Deus no serviço à Igreja. A promoção da unidade eclesial foi sua grande preocupação. Fundou comunidades religiosas para viverem em profundidade essa unidade e quis que elas fossem, assim, sinal e fermento de unidade. Depois de sua morte, na expressão de São Possídio, Agostinho permanece triunfalmente vivo nos livros que legou à posteridade. Suas relíquias conservam-se na igreja agostiniana de São Pedro in Ciel d'Oro, em Pavia (Itália).
  Santo Agostinho é o pai do carisma da nossa Ordem e o nosso inspirador na teologia, na espiritualidade e na vida de consagração religiosa.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Os outros

  Pai e filho estavam sentados ao lado em uma Igreja. De repente a criança tocou o braço do pai rindo disse: 
  -"Papai, olha só aquele homem! Está cochilando!
  O pai o olhou com seriedade e respondeu:
  -"Não seria melhor que também você dormisse invés de ficar reparando os outros?

  Alguns ancião partiram para visitar o Aba Poemen e perguntaram:
  - Segundo o senhor, quando na Igreja, surpreendemos um irmão cochilando é oportuno dar-lhe um beliscão para acordá-lo?
  O ancião respondeu:
  -Se eu visse um irmão cochilar, apoiaria sua cabeça no meu colo e o deixaria repousar".
  Devemos redescobrir o que significa indulgência.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Santa Clara de Montefalco, Virgem


  Prezados irmãos, neste mês a Igreja do Brasil convida-nos a refletir sobre as vocações, chamado de Deus à cada pessoa. Nisto podemos perceber que todos são convidados a contribuir com a construção do Reino de Deus entre nós, colocando em favor da comunidade os dons que possuímos. A cada domingo meditamos o valor e a importância das  principais vocações presentes na Igreja.
  Em especial para nós, a família agostiniana, esse mês é de grande importância, pois é nele que comemoramos a solenidade de nosso Pai e Inspirador Santo Agostinho e outros santos que também viveram a Regra escrita por ele, assim como SANTA CLARA DA CRUZ DE MONTE FALCO.
   Desta forma vamos conhecer um pouco da vida e da espiritualidade desta Santa que descobriu sua vocação na vida religiosa.
  Santa Clara nasceu em torno de 1268 em Montefalco (Perugia), onde passou toda a vida. Aos seis anos entrou numa reclusão habitada por sua irmã Joana e outras companheiras. Esta pequena comunidade transladou-se em 1290 para uma nova casa, transformada em mosteiro sob a Regra de Santo Agostinho. Ela seguiu suas companheiras. Morta sua irmã, sucedeu-lhe no cargo de abadessa, até a morte, no dia 17 de agosto 1308. Em sua vida pessoal e como Abadessa, viveu exemplarmente a vida comunitária exigida pela Regra. Ensinava às irmãs a necessidade da renúncia e do esforço pessoal para construir o edifício da vida espiritual. Dotada de ciência infusa, defendeu corajosamente a doutrina da fé. Distinguiu-se pelo amor à Paixão do Senhor, dando um lugar de honra à devoção da Santa Cruz. No final de sua vida afirmava ter no seu coração a Cruz de Cristo.

Não me move, Senhor, para querer-te
o céu que me tendes prometido,
nem me move o inferno tão temido
pra deixar por isso de ofender-te.

Move-me sim, move-me o ver-te
cravado numa cruz e escarnecido;
move-me ver teu corpo tão ferido;
movem-me tuas ofensas e tua morte.

Move-me, enfim, teu amor de tal maneira,
que, embora não houvesse céu eu te amaria,
embora não houvesse inferno te temeria.

  Em sua eloquência havia uma grande força de persuasão. Parecia brotar de sua boca um fogo que inflamava a mente dos que a ouviam e infundia uma doçura espiritual. Por esta razão, quem a ouvia, saía de sua presença com um desejo ardente das coisas espirituais.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O amor é forte como a morte

  Forte é o amor, que tem poder para privar-nos do dom da vida. Forte é o amor que tem poder para restituir-nos o gozo de uma vida nova.
  Forte é a morte, poderosa para nos despojar-nos do revestimento deste corpo. Forte é o amor, poderoso para roubar os despojos da morte e no-los entregar de novo.
  Forte é a morte, ela, o homem não pode resistir. Forte é o amor que pode vencê-la, embotar-lhe o ímpeto, quebrantar-lhe a vitória. Assim será insultada quando ouvir: Onde está, ó morte teu aguilhã? Onde está, ó morte, tua vitória?
  O amor é forte como a morte, porque é a morte da morte o amor de Cristo. Também o amor com que amamos a Cristo é forte como a morte, é uma espécie de morte pela extinção da vida antiga, a destruição dos vícios e a rejeição das obras mortais.
  Arranca de mim Senhor o coração de pedra. Tira o coração de pedra, dá-me um coração de carne. Tu, purificador dos corações, e amante dos corações puros, apossa-te de meu coração, e nele habita, envolvendo-o enchendo-o. Tu, superior ao que tenho de mais alto, interior do que tenho de mais íntimo! Tu, forma da beleza, marca meu coração com tua imagem. Sela meu coração sob sua misericórdia, Deus de meu coração e meu quinhão, Deus para sempre.
Frei Cleber Rosendo, OAD

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Interioridade, impulso para a vida!

  Observando nossa cultura atual, bastante voltada para o exterior, para o passageiro e provisório, percebemos que muitas vezes o homem acaba esquecendo-se de uma sua dimensão constitutiva que é a interioridade e a sua vida interior. Sem esse alicerce espiritual o homem moderno corre o risco de viver numa instabilidade e existencial, num desnorteamento que muitas vezes o leva a procurar as respostas às perguntas que a vida lhe impõe em lugares e coisas incapazes de lhe darem o que procura, pois são finitas, enquanto que o homem procura algo maior, tem sede de infinito.
  Santo Agostinho experimentou em sua própria pele este drama da busca angustiante de sentido, a busca de algo que de fato ofereça fundamento à sua vida e ao mundo. Foi ao mergulhar em si mesmo, em seu íntimo é que encontrou a resposta que tanto buscava. Ele procurava fora de si, nas seitas e nas criaturas, enquanto que por todo esse tempo a Resposta esteve sempre com ele, estava nele. Agostinho encontrou-se consigo mesmo e deparou-se com suas misérias, mas percebeu que dentro dele, como ele mesmo diz,   “mais íntimo que o meu próprio íntimo” encontra-se Deus com sua graça renovadora.
  A ressonância desta experiência de Agostinho não termina por aí, se assim fosse seria um fechamento entorno do próprio eu. Pelo contrário, ela desabrocha em uma alteridade totalmente nova. Isto é, agora a realidade é vista a partir de Deus, como que com os olhos de Deus. Tudo fala de Deus, pois a criação é reflexo do Criador. O outro  passa a ser visto de maneira diferente, pois a presença de Deus experimentada no próprio coração não é de maneira nenhuma uma propriedade privada, este mesmo Deus se faz presente no coração do outro também e esta realidade aproxima os homens entre si, pois é o mesmo Deus que é buscado e encontrado por cada um.
  Entendendo que o outro, o nosso irmão, é um templo vivo de Deus temos o dever de respeitá-lo e amá-lo, assim podemos compreender melhor o programa de vida que Santo Agostinho traça para os seus filhos espirituais em sua Regra:
"Vivei unânimes e concordes, honrando reciprocamente em vós Deus de quem sois templos vivos" (Regra n.9). 
Por Frei Leandro Xavier Rodrigues, OAD. 

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Sinal

  Um pobre náufrago chegou na praia de uma pequena ilha deserta agarrado num pedaço de madeira do que restou de sua embarcação depois de uma terrível tempestade.
  A ilha era de formação vulcânica, portanto era áspera e não habitável. O pobre homem começou a rezar. Pediu a Deus, com todas as suas forças, de salvá-lo e todos os dias fixava o olhar no horizonte na esperança de ver alguma coisa, alguém que lhe viesse socorrer, mas nada.
  Depois de alguns dias se organizou, com muito sacrifício fabricou alguns instrumentos para caçar e cultivar alguma planta para comer. Quase que suando sangue conseguiu acender o fogo e construiu  uma acabana para proteger-se das violentas tempestades.
  Passaram-se alguns meses e o pobre homem continuava suas orações, mas nenhuma embarcação aparecia no horizonte. Até que um dia um sopro da brisa empurrou a chama até a sua esteira de dormir que era de palha seca. Num instante tudo se incendiou. Uma densa nuvem de fumaça levantou-se no céu. Os esforços e sacrifícios de meses, em instantes reduziram-se em um punhado de cinzas. 
  O Náufrago, que em vão tentou salvar alguma coisa, lançou-se com o rosto na areia: "Porque Senhor? Porque também isso?"
  Algumas horas depois, um grande navio atracou próximo da ilha. Vieram buscá-lo com um bote.
  "Mas como vocês fizeram para saber que eu estava aqui?" pediu o náufrago que não podia acreditar no que estava acontecendo.
  "Nós vimos o sinal de fumaça" lhe responderam.

  As tuas dificuldades de hoje são sinais de fumaça para a graça futura. Deus virá para salvar-te!

segunda-feira, 2 de abril de 2012

O zelo pelo outro



"Se avisares o ímpio e ele não se converter de sua impiedade e do seu mau caminho, morrerá ele por certo na sua iniqüidade, mas tu livraste a tua alma" Ez. 3, 19.
  Zelar pela vida de fé dos irmãos, por sua caminhada na Verdade que é Jesus Cristo é a missão de toda a Igreja, um pedido de Cristo que se dirige primeiramente a Pedro, mas se estende a todos.
  Na cultura atual que oferece um conjunto de idéias que muitas vezes aprisionam o homem em cadeias sem paredes, que oferece um manual rico em receitas de “felicidade” sem Cristo, zelar pelo irmão, por sua integridade na fé, torna-se fundamental. O zelar, muitas vezes, se torna resgatar, trazer novamente da “morte” espiritual os que pelo pecado se desviaram ou se afastaram de Deus. Uma manifestação de caridade que tem o poder de apagar os pecados daquele que reconduz ao Bom caminho o pecador, como diz São Tiago:"Meus irmãos, se alguém dentre vós se desviar da verdade e outro o reconduzir, saiba que aquele que reconduzir [à verdade] o pecador desencaminhado, salvará sua alma da morte e cobrirá uma multidão de pecados" Tia 5, 19-20.
  Assim, com a motivação de sermos canais da graça de Deus para os se desviaram de Deus, esforcemo-nos em zelar pela sua “saúde espiritual”, pela sua integridade na fé. E é com alegria, entusiasmo e esperança que procuramos fazer isso, pois a Palavra de Deus nos traz alegria, é Luz para a nossa vida e resposta para nossas perguntas mais fundamentais. Pensemos assim na alegria e importância que é poder reconduzir um pecador ao Bom caminho, como diz São Paulo: "Persevera nestas coisas, porque fazendo isto, te salvarás a ti mesmo e àqueles que te ouvem" ITim. 4, 16.
                     
                                                                                                                          Frei Indiomar Maieski 

sexta-feira, 30 de março de 2012

Pôr do sol


   Era uma vez, um missionário atravessava as Montanhas Rochosas com um jovem indiano que era o seu guia.

   Todas as tardes, ao pôr do sol, o jovem indiano se afastava, se virava na direção do sol e começava a mover ritmicamente os pés e a cantar bem baixinho uma doce canção, carregada de nostalgia.
   Aquele jovem que dançava e cantava voltado para o sol poente era um espetáculo que enchia de admiração e curiosidade o missionário. Até que um dia este lhe pediu:
   "Qual é o significado daquela estranha cerimônia que você realiza todas as tardes?"
   Oh, é uma coisa muito simples" respondeu o jovem. "Eu e minha mulher compomos juntos esta canção. Quando estamos separados, cada um de nós, onde quer que estejamos, nos voltamos para o sol e no instante pouco antes dele se pôr, começamos dançar e cantar. Assim todas as tardes, mesmo distantes, cantamos e dançamos juntos".
   Quando o sol se põe, com quem você dança?

   Uma mística do século IX deixou esta oração:
"Meu Senhor!

brilham as estrelas,

fecham-se os olhos dos amantes.

Cada amante

está a sós com seu amado,

e eu estou a sós

aqui contigo!"

sábado, 24 de março de 2012

A Sagrada Escritura na vida humana

  São bastante valiosos os momentos que paramos no nosso cotidiano dessa vida corrida e marcada pela depressão, violência e pela inquietação do nosso coração.
  Quando paramos, parece que nos encontramos numa realidade nova, porque é algo que não é comum no nosso tempo, porque não estamos educados para isso.
  Porém, quando desligamos a TV, o rádio, o computador, precisamos também desligar aquilo que faz com que continue um barulho interior que nos incomoda e, por vezes, nos afasta de nós mesmos e de Deus.
  Por isso, é importante pensarmos que as nossas paradas diárias ou semanais necessitam de uma motivação e de um bom propósito, para que tenham consequências positivas e deixem marcas profundas em nós, na nossa família e na nossa comunidade cristã.
  A comunidade cristã é a família de Deus, que na comunhão da Trindade se reúne para celebrar o grande mistério da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. E dentro do Mistério Eucarístico o próprio Deus se faz pão para nos alimentar espiritualmente. Da mesma maneira que podemos, na Santa Missa, comungar Jesus Euscarístico, também podemos comungar da Sagrada Escritura.
 

quinta-feira, 22 de março de 2012

Escolha diária


   Um homem se sentia constante mente oprimido pelas dificuldades da vida e um dia se lamentou com um famoso mestre espiritual:

   "Eu não aguento mais, esta vida é insuportável".
   O mestre pegou um punhado de cinzas e deixou cair dentro do copo de água límpida que ele tinha sobre mesa para beber e disse:
   "Estes são os teus sofrimentos".
   Toda a água do copo escureceu.
   O mestre jogou-a fora.
   O mestre pegou outro punhado de cinzas, idêntico ao precedente, mostrou ao homem, depois saiu na janela e lançou no mar.
   As cinzas se dispersaram em um instante e o mar continuou exatamente como era antes.
   "Veja" explicou o mestre. "Todos os dias você deve escolher se ser um copo de água ou o mar".

   Tantos corações pequenos, tantos ânimos exitantes, tantas mentes restritas e braços encolhidos. Uma das carências mais sérias do nosso tempo é a coragem. Não a estupida insolência, nem a temeridade inconsciente, mas a verdadeira coragem que diante de cada problema sabe dizer tranquilamente: 
"Em algum lugar certamente existe uma solução e eu a encontrarei".

segunda-feira, 19 de março de 2012

Reencarnação e cristianismo


A reencarnação é um tema muito polêmico entre os vários temas que envolvem a religiosidade, de modo que não é raro ouvirmos na escola, no trabalho ou na nossa família discussões e debates sobre isso. Muitos cristãos afirmam crer na reencarnação, já outros a negam com convicção. Por isso, é importante sabermos um pouco sobre este tema. Afinal, podemos ser cristãos e crer na doutrina reencarnacionista?
Aqui, temos que entender que ser humano é um composto de corpo e alma, assim não se pode falar da existência de homem sem algum desses dois elementos. Também é bom fazermos uma distinção entre: encarnação, reencarnação e ressurreição: o primeiro termo designa o fato de uma alma ter sido criada e no mesmo instante ser colocada num corpo; por reencarnação entende-se uma alma que tendo se desprendido de um corpo, pela morte, assuma uma nova existência em outro corpo; e por ressurreição entendemos o momento no qual, após ter morrido, ter sido julgada por seus atos feitos em vida, a pessoa receberá novamente o seu corpo de forma glorificada, para nele cumprir a sentença de seu julgamento.
Os reencarnacionistas alegam como argumentos para a reencarnação o fato da alma ser imortal e uma suposta necessidade de pagar  aqui na Terra os pecados cometidos em uma vida passada. Porém, o fato da imortalidade da alma não significa necessariamente reencarnação, já que ela pode esperar desencarnada o dia da ressurreição. Quanto à necessidade de pagar os pecados, o cristianismo não prega “olho por olho, dente por dente” ou “aqui se faz, aqui se paga”. 
Os reencarnacionistas acreditam que os pecados cometidos pecisam ser pagos aqui: se deixamos alguém com fome, em outro momento também nós passaremos fome para espiar esse mal cometido. Isso podendo acontecer nessa vida ou em outras futuras, a esse fato eles chamam de Karma. E assim, segundo eles, por meio das reencarnações a pessoa vai se purificando e vai se libertando da materialidade do corpo.
      Porém, nós Católicos, acreditamos que assim como Cristo ressuscitou num corpo glorioso, um dia nós também ressuscitaremos justificados pelo Seu gesto redentor na cruz. Não seremos salvos por nossos próprios méritos, em diversas vidas, mas pelos méritos do Filho de Deus. Desta forma, acreditar e fundamentar a nossa vida em uma doutrina reencarnacionista é negar o valor da paixão do Senhor na cruz: "Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o Justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto sim, na carne, mas vivificado no espírito..." (1 Pedro 3:18). 
Por Frei Wellington Porfírio

domingo, 18 de março de 2012

Crer


   Dois peixes vermelhos viviam num pequeno aquário de vidro. Nadavam preguiçosamente dentro dele e tinham tempo até mesmo para filosofar.
Um dia um dos peixes perguntou  ao outro:
“Você acredita em Deus?”
“Claro!”
“E como você sabe?”
“E quem você pensa que troca a água todos os dias para nós?”

   A vida flui dentro de nós como um rio tranquilo e isso é um milagre. Mas acabamos nos habituando também com os milagres. Cada dia é um dom totalmente novo, uma página em branco a ser escrita. Deus nos troca a água todos os dias.
   Deus não morre no dia em que cessamos de crer em uma divindade pessoal mas, nós morremos no dia em que nossa vida cessa de ser iluminada por aquela Luz constante, e renovada a cada dia, como que em um milagre cuja origem está além de toda razão.

domingo, 11 de março de 2012

Porque Jesus escolheu 12?


   A comunidade que surgiu entorno de Jesus não era “amorfa”, ou sem uma estrutura. Dentre todos os discípulo, Jesus “constituiu Doze, para que ficassem com Ele, para enviá-los a pregar” (Mc 3,14). O número 12 é carregado de significado, pois 12 eram os filhos de Jacó, que deram origem as 12 tribos de Israel. Ao escolher esses 12 homens, Jesus se coloca na posição de Patriarca do “novo Israel” que terá como fundamento e origem  os mesmos 12. É “um povo que se forma agora não já por descendência física, mas através do ‘estar com Jesus’” (Ratzinger, Compreender a Igreja hoje). Da mesma forma a Igreja de Cristo não se compreende se não em relação de intimidade com o seu Senhor, e na medida em que Dele se distancia vai perdendo sua própria identidade, somos a Igreja “de Cristo” e por esta razão devemos estar unidos a Ele.
   E quanto aos 72 discípulo que Jesus enviou dois a dois a pregar (Lc 10,1-9)? Segundo a tradição judaica o número 70 ou72 (Gn 10; Ex 1,5;Dt 32,5) representa o número das nações do mundo. Com isso entendemos que Jesus pretendia para si como discípulos todas as nações, tanto que mais tarde ele deixará um mandato claro para sua Igreja: “Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda Criatura”. Vemos aqui já o fundamento da catolicidade da Igreja, ou seja, a vocação da Igreja de ser “sacramento se salvação para o mundo inteiro” (Catecismo da Igreja Católica).
Por Frei Leandro Xavier Rodrigues, OAD

quinta-feira, 8 de março de 2012

Dignidade da mulher


  Hoje, dia da mulher, quero dizer não apenas para todas as mulheres mas, para todos, a importância da mulher na sociedade.
  Gn 2,18-23. Quando Deus viu que o homem não podia ficar só, deu a mulher como um grande presente ao homem. O mais belo dessa criação de nosso Deus, é de onde veio a mulher para ser dada ao homem. Primeiramente é preciso observarmos de onde a mulher foi retirada, como todos os amantes da Sagrada Escritura sabem, foi costela do homem. E Porque da costela? Pois se observarmos, a costela é aquela que protege os órgãos vitais e a mulher tem essa função de proteger a prole. Agora vamos observar a posição onde fica a costela, e pode ver que ela se encontra ao lado do nosso corpo. E esse é exatamente o lugar que a mulher deve  ocupar, o lado. O “lado” tem um sentido muito importante, que é ocupado por aqueles a quem a outra pessoa confia muito, e esse é o sentido da mulher permanecer sempre ao lado de seu marido, pois foi retirada de sua costela.
  Porque não foi retirada de uma parte inferior do homem? Porque a mulher não foi feita para ser inferior ao homem, mas ter a mesma dignidade e sua importância particular. Porque não foi feita de uma parte que fica atrás ao homem? Porque ela não foi feita para ficar correndo atrás dele. E porque a mulher não foi feita de uma parte superior ou até de uma parte à frente do homem? Isso porque a mulher não foi feita para ser superior e andar encima do homem, e nem tão pouco para andar em sua frente e ser alcançada por aquele ao qual foi criada para permanecer ao lado.
  Portanto, meus irmãos, temos como exemplo, a própria Mãe de Deus, que acompanhou seu Filho, ao seu lado, até sua morte, e morte de cruz. Hoje vemos essa relação de esposo e esposa, quando vemos a Santa Madre Igreja, que ama se esposo Jesus, e seu esposo Jesus que caminha ao lado de sua amada Igreja.
  Essa mensagem dedico às mulheres pelo seu dia, principalmente àquelas que não conhecem Deus, e àquelas que mesmo conhecendo Deus, ainda não têm esse verdadeiro encontro com Ele, e que sofrem por isso. Mas não deixo de falar daquelas que sofrem nas mãos de pessoas que não sabem o verdadeiro significado que a mulher tem no meio da sociedade.
  Mulheres, que Deus vos abençoe sempre!
Por Frei Cleber Rosendo


domingo, 4 de março de 2012

Prometeu o Reino e veio a Igreja!?



  Esta frase de Loisy expressa uma errada compreensão sobre a Igreja, segundo a qual Jesus veio anunciando um Reino que não era deste mundo e que seus discípulos inconformados com o trágico fim de seu mestre teriam criado esta Igreja, a conclusão é que a Igreja é uma invenção dos homens e não é fruto da vontade de Deus.
  O Reino de Deus é o agir de Deus no mundo, neste sentido a presença de Jesus e sua obra entre os homens já era o Reino e quando Ele fala “ o Reino de Deus está próximo” (Mc 1,15) devemos entender “Deus está perto”. Bento XVI nos explica desta forma “Onde está Ele, está o Reino de Deus. Neste sentido devemos modificar a frase de Loisy: Prometeu-se o Reino de Deus e veio Jesus” (Ratzinger, Compreender a Igreja hoje).
  Mas o centro a da questão anterior é se a comunidade de cristãos tem ligação. Ou melhor tem origem em Jesus. Em Lc 11,1 os discípulos pedem a Jesus: “Senhor, ensina-nos a orar, como João ensinou os seus discípulos”. Ora, as comunidades da época possuíam orações próprias e era também o que lhes distinguia uma das outras. O fato de os discípulos terem pedido a Jesus que lhes ensinasse uma oração revela que eles tinham consciência de que formavam uma comunidade “apartir de Jesus”. “Eles ali estão como a célula inicial da Igreja, e nos mostram, ao mesmo tempo, que a Igreja é uma comunidade unida essencialmente pela oração” (Ratzinger, Compreender a Igreja hoje).

Por Frei Leandro Xavier Rodrigues


sexta-feira, 2 de março de 2012

Conhecendo minha Igreja


  Outro dia ouvi a seguinte frase que me chamou a atenção “um católico ignorante é um ótimo protestante”. Para mim é uma frase anti-ecumênica e um tanto quanto maldosa. Mas por baixo da terrível mascara do preconceito, percebemos nesta frase algo lamentavelmente verdadeiro que não podemos ignorar: a falta de conhecimento doutrinal do nosso povo, que resulta às vezes em abando no da Igreja.
  É algo que nos preocupa o fato de que muitos estejam “abandonando a Igreja Católica”, mais ainda ao constatar que muitos dos que migraram para outras igrejas não sabiam e continuam não sabendo o que é realmente a Igreja de Cristo e a riqueza de sua doutrina. Não pensemos que este desconhecimento é uma prerrogativa dos outros, quantas dúvidas ainda temos sobre assuntos de fé e sobre a Igreja, além disso é um dever de todo cristão estar“sempre prontos a dar razão da própria esperança” e fé (Pd 3,15). Conscientes da necessidade de tomarmos parte deste tesouro que possuímos e não sabemos que é a nossa doutrina, a nossa fé refletida e entendida publicaremos periodicamente artigos sobre assuntos de nossa fé e nossa vivencia critã aos quais aceitaremos com alegria perguntas e dúvidas que serão prontamente esclarecidas.
Frei Leandro Xavier Rodrigues

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Mensagem de Quaresma


“Agora, diz o senhor, voltai para mim com todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos; rasgai o coração, e não as vestes e voltai para o Senhor” (Jl 2, 12-13)
  Na quaresma somos chamados a voltar nosso coração a Deus pela oração. Existem vários modos para que alcancemos esse objetivo: o relacionamento com suas criaturas, a prática do jejum e o exercício da caridade com os que mais sofrem.  O tempo quaresmal nos oferece a oportunidade de silenciarmos para ouvir a voz do Senhor, que nos fala ao coração. Ouvir a palavra do Senhor, não significa apenas escutar, mas guardar, reter, apropriar-se e, sobretudo traduzi-lá na vivência autêntica do Evangelho em nosso cotidiano.
  Jesus é a Palavra de Deus, que transforma o coração do homem. Devemos ouvir sua voz, em meio a tantas vozes da sociedade, para isso é necessário silêncio e discernimento. Voltemos nosso coração paro o Cristo, fundamento de nossa existência e objetivo de nossa vida. Ele é único caminho que leva o homem a realização plena de sua existência.
  Pela oração comunitária e pessoal somos chamados a contemplar o rosto de Cristo. Votemos nosso olhar para Ele presente na Eucaristia e em sua Palavra. Não tenhamos medo de nos abrir ação do Espírito Santo, deixando Cristo ser a Luz que ilumina e conduz nossa vida.
  Na escola de discipulado, que constitui a Quaresma somos chamados anunciar o Cristo aos irmãos e irmãs. Como anunciar? Com a vivência autêntica do evangelho, fazendo resplandecer o rosto de Cristo em nossa vida. Devemos anunciar sua misericórdia e amor. Porém, se faltam anunciadores da palavra de Deus em nossas comunidades é porque na realidade faltam pessoas que fizeram a experiência do Cristo, pois o anuncio é conseqüência da experiência pessoal com o Senhor.
  Portanto, neste tempo voltemos nosso coração para o Senhor! Numa verdadeira atitude de conversão, fazendo experiência de sua palavra de forma concreta em nossa vida. Anunciando a misericórdia e o amor de Deus.      



Por Frei Denildo sa Silva, OAD