quarta-feira, 16 de maio de 2012

Interioridade, impulso para a vida!

  Observando nossa cultura atual, bastante voltada para o exterior, para o passageiro e provisório, percebemos que muitas vezes o homem acaba esquecendo-se de uma sua dimensão constitutiva que é a interioridade e a sua vida interior. Sem esse alicerce espiritual o homem moderno corre o risco de viver numa instabilidade e existencial, num desnorteamento que muitas vezes o leva a procurar as respostas às perguntas que a vida lhe impõe em lugares e coisas incapazes de lhe darem o que procura, pois são finitas, enquanto que o homem procura algo maior, tem sede de infinito.
  Santo Agostinho experimentou em sua própria pele este drama da busca angustiante de sentido, a busca de algo que de fato ofereça fundamento à sua vida e ao mundo. Foi ao mergulhar em si mesmo, em seu íntimo é que encontrou a resposta que tanto buscava. Ele procurava fora de si, nas seitas e nas criaturas, enquanto que por todo esse tempo a Resposta esteve sempre com ele, estava nele. Agostinho encontrou-se consigo mesmo e deparou-se com suas misérias, mas percebeu que dentro dele, como ele mesmo diz,   “mais íntimo que o meu próprio íntimo” encontra-se Deus com sua graça renovadora.
  A ressonância desta experiência de Agostinho não termina por aí, se assim fosse seria um fechamento entorno do próprio eu. Pelo contrário, ela desabrocha em uma alteridade totalmente nova. Isto é, agora a realidade é vista a partir de Deus, como que com os olhos de Deus. Tudo fala de Deus, pois a criação é reflexo do Criador. O outro  passa a ser visto de maneira diferente, pois a presença de Deus experimentada no próprio coração não é de maneira nenhuma uma propriedade privada, este mesmo Deus se faz presente no coração do outro também e esta realidade aproxima os homens entre si, pois é o mesmo Deus que é buscado e encontrado por cada um.
  Entendendo que o outro, o nosso irmão, é um templo vivo de Deus temos o dever de respeitá-lo e amá-lo, assim podemos compreender melhor o programa de vida que Santo Agostinho traça para os seus filhos espirituais em sua Regra:
"Vivei unânimes e concordes, honrando reciprocamente em vós Deus de quem sois templos vivos" (Regra n.9). 
Por Frei Leandro Xavier Rodrigues, OAD. 

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Sinal

  Um pobre náufrago chegou na praia de uma pequena ilha deserta agarrado num pedaço de madeira do que restou de sua embarcação depois de uma terrível tempestade.
  A ilha era de formação vulcânica, portanto era áspera e não habitável. O pobre homem começou a rezar. Pediu a Deus, com todas as suas forças, de salvá-lo e todos os dias fixava o olhar no horizonte na esperança de ver alguma coisa, alguém que lhe viesse socorrer, mas nada.
  Depois de alguns dias se organizou, com muito sacrifício fabricou alguns instrumentos para caçar e cultivar alguma planta para comer. Quase que suando sangue conseguiu acender o fogo e construiu  uma acabana para proteger-se das violentas tempestades.
  Passaram-se alguns meses e o pobre homem continuava suas orações, mas nenhuma embarcação aparecia no horizonte. Até que um dia um sopro da brisa empurrou a chama até a sua esteira de dormir que era de palha seca. Num instante tudo se incendiou. Uma densa nuvem de fumaça levantou-se no céu. Os esforços e sacrifícios de meses, em instantes reduziram-se em um punhado de cinzas. 
  O Náufrago, que em vão tentou salvar alguma coisa, lançou-se com o rosto na areia: "Porque Senhor? Porque também isso?"
  Algumas horas depois, um grande navio atracou próximo da ilha. Vieram buscá-lo com um bote.
  "Mas como vocês fizeram para saber que eu estava aqui?" pediu o náufrago que não podia acreditar no que estava acontecendo.
  "Nós vimos o sinal de fumaça" lhe responderam.

  As tuas dificuldades de hoje são sinais de fumaça para a graça futura. Deus virá para salvar-te!

segunda-feira, 2 de abril de 2012

O zelo pelo outro



"Se avisares o ímpio e ele não se converter de sua impiedade e do seu mau caminho, morrerá ele por certo na sua iniqüidade, mas tu livraste a tua alma" Ez. 3, 19.
  Zelar pela vida de fé dos irmãos, por sua caminhada na Verdade que é Jesus Cristo é a missão de toda a Igreja, um pedido de Cristo que se dirige primeiramente a Pedro, mas se estende a todos.
  Na cultura atual que oferece um conjunto de idéias que muitas vezes aprisionam o homem em cadeias sem paredes, que oferece um manual rico em receitas de “felicidade” sem Cristo, zelar pelo irmão, por sua integridade na fé, torna-se fundamental. O zelar, muitas vezes, se torna resgatar, trazer novamente da “morte” espiritual os que pelo pecado se desviaram ou se afastaram de Deus. Uma manifestação de caridade que tem o poder de apagar os pecados daquele que reconduz ao Bom caminho o pecador, como diz São Tiago:"Meus irmãos, se alguém dentre vós se desviar da verdade e outro o reconduzir, saiba que aquele que reconduzir [à verdade] o pecador desencaminhado, salvará sua alma da morte e cobrirá uma multidão de pecados" Tia 5, 19-20.
  Assim, com a motivação de sermos canais da graça de Deus para os se desviaram de Deus, esforcemo-nos em zelar pela sua “saúde espiritual”, pela sua integridade na fé. E é com alegria, entusiasmo e esperança que procuramos fazer isso, pois a Palavra de Deus nos traz alegria, é Luz para a nossa vida e resposta para nossas perguntas mais fundamentais. Pensemos assim na alegria e importância que é poder reconduzir um pecador ao Bom caminho, como diz São Paulo: "Persevera nestas coisas, porque fazendo isto, te salvarás a ti mesmo e àqueles que te ouvem" ITim. 4, 16.
                     
                                                                                                                          Frei Indiomar Maieski 

sexta-feira, 30 de março de 2012

Pôr do sol


   Era uma vez, um missionário atravessava as Montanhas Rochosas com um jovem indiano que era o seu guia.

   Todas as tardes, ao pôr do sol, o jovem indiano se afastava, se virava na direção do sol e começava a mover ritmicamente os pés e a cantar bem baixinho uma doce canção, carregada de nostalgia.
   Aquele jovem que dançava e cantava voltado para o sol poente era um espetáculo que enchia de admiração e curiosidade o missionário. Até que um dia este lhe pediu:
   "Qual é o significado daquela estranha cerimônia que você realiza todas as tardes?"
   Oh, é uma coisa muito simples" respondeu o jovem. "Eu e minha mulher compomos juntos esta canção. Quando estamos separados, cada um de nós, onde quer que estejamos, nos voltamos para o sol e no instante pouco antes dele se pôr, começamos dançar e cantar. Assim todas as tardes, mesmo distantes, cantamos e dançamos juntos".
   Quando o sol se põe, com quem você dança?

   Uma mística do século IX deixou esta oração:
"Meu Senhor!

brilham as estrelas,

fecham-se os olhos dos amantes.

Cada amante

está a sós com seu amado,

e eu estou a sós

aqui contigo!"

sábado, 24 de março de 2012

A Sagrada Escritura na vida humana

  São bastante valiosos os momentos que paramos no nosso cotidiano dessa vida corrida e marcada pela depressão, violência e pela inquietação do nosso coração.
  Quando paramos, parece que nos encontramos numa realidade nova, porque é algo que não é comum no nosso tempo, porque não estamos educados para isso.
  Porém, quando desligamos a TV, o rádio, o computador, precisamos também desligar aquilo que faz com que continue um barulho interior que nos incomoda e, por vezes, nos afasta de nós mesmos e de Deus.
  Por isso, é importante pensarmos que as nossas paradas diárias ou semanais necessitam de uma motivação e de um bom propósito, para que tenham consequências positivas e deixem marcas profundas em nós, na nossa família e na nossa comunidade cristã.
  A comunidade cristã é a família de Deus, que na comunhão da Trindade se reúne para celebrar o grande mistério da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. E dentro do Mistério Eucarístico o próprio Deus se faz pão para nos alimentar espiritualmente. Da mesma maneira que podemos, na Santa Missa, comungar Jesus Euscarístico, também podemos comungar da Sagrada Escritura.