terça-feira, 28 de agosto de 2012

Santo Agostinho, nosso pai e inspirador

 
 A vida de Santo Agostinho (354-430 d.C.) transcorreu num tempo de crise e de transição. Os bárbaros invadiam de todos os lados o império romano que começava a ruir. No dia 28 de agosto  de 430, Hipona estava sitiada por exércitos vândalos. Agostinho morria sentindo   profundamente aquela dramática e dolorosa situação. Desde sua ordenação sacerdotal (391 d.C.), mas sobretudo desde sua ordenação episcopal (395 d.C.), identificara-se com a causa de Deus no serviço à Igreja. A promoção da unidade eclesial foi sua grande preocupação. Fundou comunidades religiosas para viverem em profundidade essa unidade e quis que elas fossem, assim, sinal e fermento de unidade. Depois de sua morte, na expressão de São Possídio, Agostinho permanece triunfalmente vivo nos livros que legou à posteridade. Suas relíquias conservam-se na igreja agostiniana de São Pedro in Ciel d'Oro, em Pavia (Itália).
  Santo Agostinho é o pai do carisma da nossa Ordem e o nosso inspirador na teologia, na espiritualidade e na vida de consagração religiosa.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Os outros

  Pai e filho estavam sentados ao lado em uma Igreja. De repente a criança tocou o braço do pai rindo disse: 
  -"Papai, olha só aquele homem! Está cochilando!
  O pai o olhou com seriedade e respondeu:
  -"Não seria melhor que também você dormisse invés de ficar reparando os outros?

  Alguns ancião partiram para visitar o Aba Poemen e perguntaram:
  - Segundo o senhor, quando na Igreja, surpreendemos um irmão cochilando é oportuno dar-lhe um beliscão para acordá-lo?
  O ancião respondeu:
  -Se eu visse um irmão cochilar, apoiaria sua cabeça no meu colo e o deixaria repousar".
  Devemos redescobrir o que significa indulgência.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Santa Clara de Montefalco, Virgem


  Prezados irmãos, neste mês a Igreja do Brasil convida-nos a refletir sobre as vocações, chamado de Deus à cada pessoa. Nisto podemos perceber que todos são convidados a contribuir com a construção do Reino de Deus entre nós, colocando em favor da comunidade os dons que possuímos. A cada domingo meditamos o valor e a importância das  principais vocações presentes na Igreja.
  Em especial para nós, a família agostiniana, esse mês é de grande importância, pois é nele que comemoramos a solenidade de nosso Pai e Inspirador Santo Agostinho e outros santos que também viveram a Regra escrita por ele, assim como SANTA CLARA DA CRUZ DE MONTE FALCO.
   Desta forma vamos conhecer um pouco da vida e da espiritualidade desta Santa que descobriu sua vocação na vida religiosa.
  Santa Clara nasceu em torno de 1268 em Montefalco (Perugia), onde passou toda a vida. Aos seis anos entrou numa reclusão habitada por sua irmã Joana e outras companheiras. Esta pequena comunidade transladou-se em 1290 para uma nova casa, transformada em mosteiro sob a Regra de Santo Agostinho. Ela seguiu suas companheiras. Morta sua irmã, sucedeu-lhe no cargo de abadessa, até a morte, no dia 17 de agosto 1308. Em sua vida pessoal e como Abadessa, viveu exemplarmente a vida comunitária exigida pela Regra. Ensinava às irmãs a necessidade da renúncia e do esforço pessoal para construir o edifício da vida espiritual. Dotada de ciência infusa, defendeu corajosamente a doutrina da fé. Distinguiu-se pelo amor à Paixão do Senhor, dando um lugar de honra à devoção da Santa Cruz. No final de sua vida afirmava ter no seu coração a Cruz de Cristo.

Não me move, Senhor, para querer-te
o céu que me tendes prometido,
nem me move o inferno tão temido
pra deixar por isso de ofender-te.

Move-me sim, move-me o ver-te
cravado numa cruz e escarnecido;
move-me ver teu corpo tão ferido;
movem-me tuas ofensas e tua morte.

Move-me, enfim, teu amor de tal maneira,
que, embora não houvesse céu eu te amaria,
embora não houvesse inferno te temeria.

  Em sua eloquência havia uma grande força de persuasão. Parecia brotar de sua boca um fogo que inflamava a mente dos que a ouviam e infundia uma doçura espiritual. Por esta razão, quem a ouvia, saía de sua presença com um desejo ardente das coisas espirituais.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O amor é forte como a morte

  Forte é o amor, que tem poder para privar-nos do dom da vida. Forte é o amor que tem poder para restituir-nos o gozo de uma vida nova.
  Forte é a morte, poderosa para nos despojar-nos do revestimento deste corpo. Forte é o amor, poderoso para roubar os despojos da morte e no-los entregar de novo.
  Forte é a morte, ela, o homem não pode resistir. Forte é o amor que pode vencê-la, embotar-lhe o ímpeto, quebrantar-lhe a vitória. Assim será insultada quando ouvir: Onde está, ó morte teu aguilhã? Onde está, ó morte, tua vitória?
  O amor é forte como a morte, porque é a morte da morte o amor de Cristo. Também o amor com que amamos a Cristo é forte como a morte, é uma espécie de morte pela extinção da vida antiga, a destruição dos vícios e a rejeição das obras mortais.
  Arranca de mim Senhor o coração de pedra. Tira o coração de pedra, dá-me um coração de carne. Tu, purificador dos corações, e amante dos corações puros, apossa-te de meu coração, e nele habita, envolvendo-o enchendo-o. Tu, superior ao que tenho de mais alto, interior do que tenho de mais íntimo! Tu, forma da beleza, marca meu coração com tua imagem. Sela meu coração sob sua misericórdia, Deus de meu coração e meu quinhão, Deus para sempre.
Frei Cleber Rosendo, OAD

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Interioridade, impulso para a vida!

  Observando nossa cultura atual, bastante voltada para o exterior, para o passageiro e provisório, percebemos que muitas vezes o homem acaba esquecendo-se de uma sua dimensão constitutiva que é a interioridade e a sua vida interior. Sem esse alicerce espiritual o homem moderno corre o risco de viver numa instabilidade e existencial, num desnorteamento que muitas vezes o leva a procurar as respostas às perguntas que a vida lhe impõe em lugares e coisas incapazes de lhe darem o que procura, pois são finitas, enquanto que o homem procura algo maior, tem sede de infinito.
  Santo Agostinho experimentou em sua própria pele este drama da busca angustiante de sentido, a busca de algo que de fato ofereça fundamento à sua vida e ao mundo. Foi ao mergulhar em si mesmo, em seu íntimo é que encontrou a resposta que tanto buscava. Ele procurava fora de si, nas seitas e nas criaturas, enquanto que por todo esse tempo a Resposta esteve sempre com ele, estava nele. Agostinho encontrou-se consigo mesmo e deparou-se com suas misérias, mas percebeu que dentro dele, como ele mesmo diz,   “mais íntimo que o meu próprio íntimo” encontra-se Deus com sua graça renovadora.
  A ressonância desta experiência de Agostinho não termina por aí, se assim fosse seria um fechamento entorno do próprio eu. Pelo contrário, ela desabrocha em uma alteridade totalmente nova. Isto é, agora a realidade é vista a partir de Deus, como que com os olhos de Deus. Tudo fala de Deus, pois a criação é reflexo do Criador. O outro  passa a ser visto de maneira diferente, pois a presença de Deus experimentada no próprio coração não é de maneira nenhuma uma propriedade privada, este mesmo Deus se faz presente no coração do outro também e esta realidade aproxima os homens entre si, pois é o mesmo Deus que é buscado e encontrado por cada um.
  Entendendo que o outro, o nosso irmão, é um templo vivo de Deus temos o dever de respeitá-lo e amá-lo, assim podemos compreender melhor o programa de vida que Santo Agostinho traça para os seus filhos espirituais em sua Regra:
"Vivei unânimes e concordes, honrando reciprocamente em vós Deus de quem sois templos vivos" (Regra n.9). 
Por Frei Leandro Xavier Rodrigues, OAD.