sexta-feira, 30 de março de 2012

Pôr do sol


   Era uma vez, um missionário atravessava as Montanhas Rochosas com um jovem indiano que era o seu guia.

   Todas as tardes, ao pôr do sol, o jovem indiano se afastava, se virava na direção do sol e começava a mover ritmicamente os pés e a cantar bem baixinho uma doce canção, carregada de nostalgia.
   Aquele jovem que dançava e cantava voltado para o sol poente era um espetáculo que enchia de admiração e curiosidade o missionário. Até que um dia este lhe pediu:
   "Qual é o significado daquela estranha cerimônia que você realiza todas as tardes?"
   Oh, é uma coisa muito simples" respondeu o jovem. "Eu e minha mulher compomos juntos esta canção. Quando estamos separados, cada um de nós, onde quer que estejamos, nos voltamos para o sol e no instante pouco antes dele se pôr, começamos dançar e cantar. Assim todas as tardes, mesmo distantes, cantamos e dançamos juntos".
   Quando o sol se põe, com quem você dança?

   Uma mística do século IX deixou esta oração:
"Meu Senhor!

brilham as estrelas,

fecham-se os olhos dos amantes.

Cada amante

está a sós com seu amado,

e eu estou a sós

aqui contigo!"

sábado, 24 de março de 2012

A Sagrada Escritura na vida humana

  São bastante valiosos os momentos que paramos no nosso cotidiano dessa vida corrida e marcada pela depressão, violência e pela inquietação do nosso coração.
  Quando paramos, parece que nos encontramos numa realidade nova, porque é algo que não é comum no nosso tempo, porque não estamos educados para isso.
  Porém, quando desligamos a TV, o rádio, o computador, precisamos também desligar aquilo que faz com que continue um barulho interior que nos incomoda e, por vezes, nos afasta de nós mesmos e de Deus.
  Por isso, é importante pensarmos que as nossas paradas diárias ou semanais necessitam de uma motivação e de um bom propósito, para que tenham consequências positivas e deixem marcas profundas em nós, na nossa família e na nossa comunidade cristã.
  A comunidade cristã é a família de Deus, que na comunhão da Trindade se reúne para celebrar o grande mistério da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. E dentro do Mistério Eucarístico o próprio Deus se faz pão para nos alimentar espiritualmente. Da mesma maneira que podemos, na Santa Missa, comungar Jesus Euscarístico, também podemos comungar da Sagrada Escritura.
 

quinta-feira, 22 de março de 2012

Escolha diária


   Um homem se sentia constante mente oprimido pelas dificuldades da vida e um dia se lamentou com um famoso mestre espiritual:

   "Eu não aguento mais, esta vida é insuportável".
   O mestre pegou um punhado de cinzas e deixou cair dentro do copo de água límpida que ele tinha sobre mesa para beber e disse:
   "Estes são os teus sofrimentos".
   Toda a água do copo escureceu.
   O mestre jogou-a fora.
   O mestre pegou outro punhado de cinzas, idêntico ao precedente, mostrou ao homem, depois saiu na janela e lançou no mar.
   As cinzas se dispersaram em um instante e o mar continuou exatamente como era antes.
   "Veja" explicou o mestre. "Todos os dias você deve escolher se ser um copo de água ou o mar".

   Tantos corações pequenos, tantos ânimos exitantes, tantas mentes restritas e braços encolhidos. Uma das carências mais sérias do nosso tempo é a coragem. Não a estupida insolência, nem a temeridade inconsciente, mas a verdadeira coragem que diante de cada problema sabe dizer tranquilamente: 
"Em algum lugar certamente existe uma solução e eu a encontrarei".

segunda-feira, 19 de março de 2012

Reencarnação e cristianismo


A reencarnação é um tema muito polêmico entre os vários temas que envolvem a religiosidade, de modo que não é raro ouvirmos na escola, no trabalho ou na nossa família discussões e debates sobre isso. Muitos cristãos afirmam crer na reencarnação, já outros a negam com convicção. Por isso, é importante sabermos um pouco sobre este tema. Afinal, podemos ser cristãos e crer na doutrina reencarnacionista?
Aqui, temos que entender que ser humano é um composto de corpo e alma, assim não se pode falar da existência de homem sem algum desses dois elementos. Também é bom fazermos uma distinção entre: encarnação, reencarnação e ressurreição: o primeiro termo designa o fato de uma alma ter sido criada e no mesmo instante ser colocada num corpo; por reencarnação entende-se uma alma que tendo se desprendido de um corpo, pela morte, assuma uma nova existência em outro corpo; e por ressurreição entendemos o momento no qual, após ter morrido, ter sido julgada por seus atos feitos em vida, a pessoa receberá novamente o seu corpo de forma glorificada, para nele cumprir a sentença de seu julgamento.
Os reencarnacionistas alegam como argumentos para a reencarnação o fato da alma ser imortal e uma suposta necessidade de pagar  aqui na Terra os pecados cometidos em uma vida passada. Porém, o fato da imortalidade da alma não significa necessariamente reencarnação, já que ela pode esperar desencarnada o dia da ressurreição. Quanto à necessidade de pagar os pecados, o cristianismo não prega “olho por olho, dente por dente” ou “aqui se faz, aqui se paga”. 
Os reencarnacionistas acreditam que os pecados cometidos pecisam ser pagos aqui: se deixamos alguém com fome, em outro momento também nós passaremos fome para espiar esse mal cometido. Isso podendo acontecer nessa vida ou em outras futuras, a esse fato eles chamam de Karma. E assim, segundo eles, por meio das reencarnações a pessoa vai se purificando e vai se libertando da materialidade do corpo.
      Porém, nós Católicos, acreditamos que assim como Cristo ressuscitou num corpo glorioso, um dia nós também ressuscitaremos justificados pelo Seu gesto redentor na cruz. Não seremos salvos por nossos próprios méritos, em diversas vidas, mas pelos méritos do Filho de Deus. Desta forma, acreditar e fundamentar a nossa vida em uma doutrina reencarnacionista é negar o valor da paixão do Senhor na cruz: "Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o Justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto sim, na carne, mas vivificado no espírito..." (1 Pedro 3:18). 
Por Frei Wellington Porfírio

domingo, 18 de março de 2012

Crer


   Dois peixes vermelhos viviam num pequeno aquário de vidro. Nadavam preguiçosamente dentro dele e tinham tempo até mesmo para filosofar.
Um dia um dos peixes perguntou  ao outro:
“Você acredita em Deus?”
“Claro!”
“E como você sabe?”
“E quem você pensa que troca a água todos os dias para nós?”

   A vida flui dentro de nós como um rio tranquilo e isso é um milagre. Mas acabamos nos habituando também com os milagres. Cada dia é um dom totalmente novo, uma página em branco a ser escrita. Deus nos troca a água todos os dias.
   Deus não morre no dia em que cessamos de crer em uma divindade pessoal mas, nós morremos no dia em que nossa vida cessa de ser iluminada por aquela Luz constante, e renovada a cada dia, como que em um milagre cuja origem está além de toda razão.