terça-feira, 9 de outubro de 2012

Interioridade, caminho para alteridade em Santo Agostinho


  Tendo presente à cultura atual voltada para o exterior para o passageiro e provisório percebemos que muitas das vezes o homem acaba esquecendo-se de uma dimensão constitutiva sua que é a sua interioridade e sua vida interior.
  Santo Agostinho vivencia em sua própria pele o drama da busca de sentido, a busca de algo que de fato lhe oferecesse fundamento à realidade e à sua vida. Foi ao mergulhar em si mesmo, em seu íntimo é que encontrou a resposta que tanto buscou. Ele procurava fora de si nas seitas e nas criaturas, enquanto que por todo esse tempo a Resposta estava sempre com ele, estava nele.
  A experiência de Agostinho não se conclui num fechamento entorno do próprio eu, mas desabrocha em uma alteridade totalmente nova. Agora a realidade é vista a partir de Deus, como que com os olhos de Deus. Ao fazer o caminho inverso passando por cada etapa até então percorrida ele percebe nelas o que percebeu quando chegou ao final de sua viajem interior, ou seja, tudo fala de Deus, a criatura é reflexo do criador. O outro é visto de maneira diferente, pois a presença de Deus no coração do homem não é de maneira nenhuma uma propriedade privada, este mesmo Deus se faz presente no coração do outro, esta realidade aproxima os homens, pois é o mesmo Deus que é buscado e encontrado por cada um, apesar de ser encontrado no próprio íntimo.
  O outro, portanto é templo vivo de Deus e por esta razão deve ser respeitado, "Vivei, pois unânimes e concordes, honrando reciprocamente em vós Deus de quem sois templos vivos" (Regre de Santo Agostinho nº 9.
Frei Leandro Xavier Rodrigues


segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Domingo, o dia do Senhor

  O domingo para o cristão é mais do que um simples dia de descanso depois de uma semana de trabalho,mas "é o dia que o Senhor fez para nós"(Sl 117,24), tempo concedido ao homem para contemplar a criação, louvar o criador, celebrar o grande evento da sua salvação que é a Pascoa do Senhor e em comunhão com o Senhor que se dá na Eucaristia, formar um só corpo que é a Igreja.
  No inicio do Gênesis lemos que após completar a obra da criação, Deus repousou (Cf. Gn 2,2). Este repouso não representa a inatividade de Deus, mas significa que Deus para diante de sua obra "muito boa" (Gn 1,31) recém realizada e a contempla com um "olhar repleto de jubilosa complacência" (Dies Domini 11), aprecia sua beleza. Agindo desta forma Deus deixa um exemplo ao homem que no domingo deve deixar suas preocupações e afazeres cotidianos para contemplar as belezas da criação e louvar o criador por tudo o que existe, inclusive por sua vida e por poder respirar.
  Se por um lado o domingo é o dia do repouso sagrado, por outro lado "é preciso fazer referência especificamente à ressurreição de Cristo para se alcançar o (seu) pleno sentido" (DD 19). Pois o fato de Cristo ter ressuscitado no "primeiro dia depois do sábado" (Lc 24,1) faz do domingo o "dia da ressurreição", e como a ressurreição de Cristo é o centro da nossa fé então o domingo é para nós um dia muito especial em relação aos demais dias da semana.
  No domingo, dia mais importante da semana, a comunidade se reúne para uma celebração na qual louva a Deus pela criação, celebra a ressurreição de Cristo e faz uma experiencia especial de comunhão com Cristo e com os irmãos, esta é a celebração eucaristica. De fato "uma vez que a um só pão, nós embora sendo muitos, formamos um só corpo, porque todos participamos do mesmo pão"(1Cor 10,17). 
  Diante do imenso valor que o domingo e de modo particular a Eucaristia tem para o cristão, podemos afirmar que não podemos viver sem a ceia do Senhor (Cf. DD 46). Esta é uma necessidade interior do cristão que se traduz em uma obrigação de consciência, ou seja, o preceito dominical. Mas esta consciência nem sempre está presente nos cristãos, seja por tibieza, seja por negligencia, e por isso a Igreja achou por bem prescrever o dever de participar na missa dominical (Cf. DD 47). E assim o Catecismo da Igreja Católica no número 2181 diz que "os que deliberadamente faltam a esta obrigação cometem pecado grave" aja visto as importância que o domingo tem para a vida cristã (Cf DD 47)
  É importante lembrar que para cumprir o preceito, ou ainda melhor, para satisfazer esta necessidade interior, o fiel pode participar da celebração eucarística seja no dia do domingo, seja no sábado a tarde, que sendo "primeiras vésperas" do domingo, liturgicamente é considerado o inicio do dia festivo do domingo (Cf. DD 49). 
  Portanto, que todo cristão, grato a Deus pelas maravilhas realizadas na criação e na sua vida, santifique o dia do Senhor com sua presença na celebração da Eucaristia, celebrando a ressurreição do Senhor e vivenciando uma profunda comunhão com Deus e os irmãos.
Frei Leandro Xavier Rodrigues

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Santo Agostinho, nosso pai e inspirador

 
 A vida de Santo Agostinho (354-430 d.C.) transcorreu num tempo de crise e de transição. Os bárbaros invadiam de todos os lados o império romano que começava a ruir. No dia 28 de agosto  de 430, Hipona estava sitiada por exércitos vândalos. Agostinho morria sentindo   profundamente aquela dramática e dolorosa situação. Desde sua ordenação sacerdotal (391 d.C.), mas sobretudo desde sua ordenação episcopal (395 d.C.), identificara-se com a causa de Deus no serviço à Igreja. A promoção da unidade eclesial foi sua grande preocupação. Fundou comunidades religiosas para viverem em profundidade essa unidade e quis que elas fossem, assim, sinal e fermento de unidade. Depois de sua morte, na expressão de São Possídio, Agostinho permanece triunfalmente vivo nos livros que legou à posteridade. Suas relíquias conservam-se na igreja agostiniana de São Pedro in Ciel d'Oro, em Pavia (Itália).
  Santo Agostinho é o pai do carisma da nossa Ordem e o nosso inspirador na teologia, na espiritualidade e na vida de consagração religiosa.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Os outros

  Pai e filho estavam sentados ao lado em uma Igreja. De repente a criança tocou o braço do pai rindo disse: 
  -"Papai, olha só aquele homem! Está cochilando!
  O pai o olhou com seriedade e respondeu:
  -"Não seria melhor que também você dormisse invés de ficar reparando os outros?

  Alguns ancião partiram para visitar o Aba Poemen e perguntaram:
  - Segundo o senhor, quando na Igreja, surpreendemos um irmão cochilando é oportuno dar-lhe um beliscão para acordá-lo?
  O ancião respondeu:
  -Se eu visse um irmão cochilar, apoiaria sua cabeça no meu colo e o deixaria repousar".
  Devemos redescobrir o que significa indulgência.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Santa Clara de Montefalco, Virgem


  Prezados irmãos, neste mês a Igreja do Brasil convida-nos a refletir sobre as vocações, chamado de Deus à cada pessoa. Nisto podemos perceber que todos são convidados a contribuir com a construção do Reino de Deus entre nós, colocando em favor da comunidade os dons que possuímos. A cada domingo meditamos o valor e a importância das  principais vocações presentes na Igreja.
  Em especial para nós, a família agostiniana, esse mês é de grande importância, pois é nele que comemoramos a solenidade de nosso Pai e Inspirador Santo Agostinho e outros santos que também viveram a Regra escrita por ele, assim como SANTA CLARA DA CRUZ DE MONTE FALCO.
   Desta forma vamos conhecer um pouco da vida e da espiritualidade desta Santa que descobriu sua vocação na vida religiosa.
  Santa Clara nasceu em torno de 1268 em Montefalco (Perugia), onde passou toda a vida. Aos seis anos entrou numa reclusão habitada por sua irmã Joana e outras companheiras. Esta pequena comunidade transladou-se em 1290 para uma nova casa, transformada em mosteiro sob a Regra de Santo Agostinho. Ela seguiu suas companheiras. Morta sua irmã, sucedeu-lhe no cargo de abadessa, até a morte, no dia 17 de agosto 1308. Em sua vida pessoal e como Abadessa, viveu exemplarmente a vida comunitária exigida pela Regra. Ensinava às irmãs a necessidade da renúncia e do esforço pessoal para construir o edifício da vida espiritual. Dotada de ciência infusa, defendeu corajosamente a doutrina da fé. Distinguiu-se pelo amor à Paixão do Senhor, dando um lugar de honra à devoção da Santa Cruz. No final de sua vida afirmava ter no seu coração a Cruz de Cristo.

Não me move, Senhor, para querer-te
o céu que me tendes prometido,
nem me move o inferno tão temido
pra deixar por isso de ofender-te.

Move-me sim, move-me o ver-te
cravado numa cruz e escarnecido;
move-me ver teu corpo tão ferido;
movem-me tuas ofensas e tua morte.

Move-me, enfim, teu amor de tal maneira,
que, embora não houvesse céu eu te amaria,
embora não houvesse inferno te temeria.

  Em sua eloquência havia uma grande força de persuasão. Parecia brotar de sua boca um fogo que inflamava a mente dos que a ouviam e infundia uma doçura espiritual. Por esta razão, quem a ouvia, saía de sua presença com um desejo ardente das coisas espirituais.